Sunday, March 15, 2009

Novas imagens introduzidas

Neue Photos eingetragen
New photos posted

Thursday, March 12, 2009





ORDEM E CAOS


Perante a nova produção de Andreas Stöcklein ressalta um grande contraste entre uma forte estruturação geométrica e o informal, o seu oposto, este patente em manchas espontâneas, podendo ganhar nalguns casos, o valor de signos ou de linhas curvas dotadas de movimento próprio.

Em todas as suas obras em azulejo, estamos perante um sentido de ordem, afirmada antes de mais pela malha geométrica dos quadrados que, estrutura o espaço planificado do suporte azulejar. Porém, Stöcklein desafia essa primeira geometria topológica com outras geometrias mais complexas e em "trompe l'oeil" que, sabemos derivarem da sua pesquisa do cubo em quatro dimensões. Mas mesmo quando essa pesquisa matemática é menos perceptível, estamos sempre perante uma visão de um espaço complexo e ilusionístico, cheio de contradições internas que, se define através de planos que se interpenetram, cortando-se entre si em perspectivas opostas, partindo em direcções distintas. Para tal, Stöcklein recorre a painéis de azulejo com silhuetas recortadas que, definem direcções distintas, com muita clareza e, um evidente dinamismo tridimensional, comandado precisamente por esse recorte exterior. Sem este, os planos não ganhariam a amplitude que atingem, quando tomam forma e uma dada inclinação, precisamente na periferia exterior de cada painel.


A cor parece comandada por um sentido funcional, na medida em que é usada para sublinhar eixos verticais e inclinações em diagonal, frequentemente a marcar com clareza o início e o fim de cada plano. Assim, esta cor parece comandada por uma função racional, embora seja equilibrada depois pelo valor mais afectivo e humano de uma renda ou de silhuetas de mãos, estas que conhecemos bem desde as pinturas murais no paleolítico superior, aí seguramente com um sentido mágico. Porém, nos painéis de Andreas Stöcklein estas mãos impressas parecem resultar de uma outra necessidade, aqui de comunicação humana com carácter sensível e emocional, num claro contraponto com a rigidez geométrica e abstracta, traduzida nas suas preocupações matemáticas ou, mais simplesmente, por perspectivas "cavaleiras" que ele faz e desfaz nestas suas obras recentes. Curiosamente, esta atitude estética tem algo a ver com o cubismo analítico, no qual foi identicamente procurada uma quarta dimensão do tempo e, no qual as texturas ganharam também um papel interventor muito grande. Não estou com esta comparação a afirmar que Andreas Stöcklein retomou o cubismo histórico mas, a dizer que ele se apresenta aqui como um artista dessa mesma "família estética". Aliás, a sua pesquisa é coerente e pessoal e, para tal, muito contribui o grande contraste que ele retira da oposição bipolar entre a dureza destas geometrias contraditórias e ilusionísticas e a grande fluidez dos valores informais, ligados de algum modo ao caos primordial.


Na minha opinião é precisamente aí que assenta a novidade do seu trabalho criador, aspecto reforçado precisamente por se tratar de suportes fortemente marcados pela malha quadrangular do azulejo que, o observador nunca pode ignorar. E muito também pelas silhuetas recortadas dos painéis, tirando partido de uma das virtualidades criativas do azulejo ao longo da história desta arte autónoma, logo no século XVI em cimalhas de painéis existentes no Palácio Nacional de Sintra, para depois ganharem uma amplitude muito maior no nosso barroco setecentista, em muitos painéis recortados também em cimalhas ou então nas chamadas "figuras de convite". Porém, no caso de Stöcklein esse recorte dos painéis é feito de forma moderna e bem actual, por quem conhece por dentro as possibilidades criadoras do azulejo contemporâneo. Aliás, é esse um dos méritos destas suas obras recentes no domínio estrito do azulejo.


Por último, nos desenhos de Andreas Stöcklein aprecio sobretudo aqueles, também ilusionísticos, nos quais ele se serve identicamente de geometrias complexas, para desafiar e destruturar a perspectiva centrada que desenhou com rigor em interiores de um espaço arquitectónico em ruinas. Tal situação dá lugar a algum sentimento de vertigem na destruturação dos nossos hábitos visuais comuns e algum desconforto perante um espaço mutante em direcção a um outro do inconsciente labiríntico.

Março de 2009

Eduardo Nery



Monday, March 9, 2009

text DEUTSCH

In der Galerie Ratton Cerâmicas in Lissabon eröffnet am 9. März 2009 die Ausstellung ‚Pelos Cantos da Casa’ (Durch die Ecken des Hauses), mit Fliesenmalerei von Andreas Stöcklein. Die Ausstellung ist bis zum 31. Mai 2009 zu besichtigen.

Andreas Stöcklein arbeitet seit den achtziger Jahren in Portugal im Bereich der Fliesenmalerei, und deren Integration im privaten und öffentlichen Raum.
In den ausgestellten Arbeiten benutzt der Autor die materialeigene Unterteilung der keramischen Fläche, um Perspektiven und überlagerte Flächen zu suggerieren. Die klar definierten und verschachtelten Farbflächen erzeugen widersprüchliche Verbindungen, in denen der Bezug auf 4-dimensionale Raum-modelle hergestellt ist.
Dadurch erzeugt Andreas Stöcklein Trompe l’oeil-Gefüge von innerer Logik und formaler Strenge, wobei die individuelle Fliese als Baustein gilt.

Die Belebung dieser ‚häuslichen’ Gefüge erfolgt durch den Impuls der Geste, seitens der gedachten Bewohner, deren Spur sich als physischer Abdruck des Ungesagten manifestiert. Das wiederkehrende Motiv des Handabdruckes ist so alt wie die Notwendigkeit, Raum zu bewohnen.
Die Ausstellung wird thematisch mit Tusche-Pinselzeichnungen auf Papier ergänzt, welche in den Ruinen eines Klosters entstanden. Die Bewohnung des Klosters durch verschiedenste soziale Gruppen über lange Zeiträume, zuletzt durch Immigranten aus den ehemaligen Kolonien, imprimierte deren Präsenz auf den Wänden der prekär hineingebauten Räume des alten Gebäudes.
In letzter Instanz wird die Ausstellung zur Abtastung des Intimen und dessen materieller Spuren im sonst anonymen Umfeld.

Thursday, March 5, 2009




text ENGLISH

The gallery Ratton Cerâmicas in Lisbon/Portugal opens the exhibition ‘Pelos Cantos da Casa’ (Through the corners of the house) by artist Andreas Stöcklein. Opening night is on 9th of March 2009. The exhibition runs until 31st of May 2009.

German artist Andreas Stöcklein has worked in Portugal as a tile painter since the early 1980’s. The primary focus of his work is the integration of tile (azulejo) in private and public spaces.
The works in this exhibit use the inherent subdivision of the ceramic surface to suggest perspectives and layers of areas. The clearly defined and colored areas link together in contradictions, referring to 4-dimensional models of space, creating structures in Trompe l’oeil with an inner logic and formal rigor where the azulejo is the modular element.
These structures integrate imaginary inhabitants throughout their impulse of gesture, which manifests as the physical mark of the unsaid. The recurrent motive, marking the hand, is as old as the necessity to inhabit a space.
The exhibition also contains expressive brush drawings in China ink. These are inspired by the ruins of an ancient convent, occupied over time by several distinct social groups – most recently by immigrants from Portugal’s former colonies, their presence imprinted on the walls of precarious shelters within the original building.

The exhibition pursues the intimate and its physical remains in an otherwise anonymous environment.

Sunday, March 1, 2009

Lugares com interstícios.

Nesses algures com outra lógica espacial

decalca-se o gesto.

Naturalmente,

as células do azulejo compõem o palco.